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Tipití,

Journal of the Society for the Anthropology of Lowland South America

Volume 2, Number 1, June 2004

ABSTRACTS

 

Eduardo Viveiros de Castro    Perspectival Anthropology and the Method of Controlled
                                                Equivocation

Javier Ruedas                          History, Ethnography, and Politics in Amazonia:
                                                Implications of Diachronic and Synchronic Variability in
                                                Marubo Politics

 

EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO

Perspectival Anthropology and the Method of Controlled Equivocation

This article argues that doing anthropology means comparing anthropologies.  Comparison is not just our primary analytic took, it is also our raw material and our ultimate grounding, since what we compare are always and necessarily, in one form or other, comparisons.  If, as Marilyn Strathern suggests, culture consists of the way people draw analogies between different domains of their worlds, then every culture is a multidimensional process of comparison.  Likewise, if anthropology studies culture through culture, then, following Roy Wagner, whatever operations characterize our investigations must also be general properties of culture.  Intracultural relations, or internal comparisons, and intercultural relations, or external comparisons, are in strict ontological continuity.  But direct comparability does not necessarily signify immediate translatability, just as ontological continuity does not imply epistemological transparency.  How can we restore the analogies traced by, say, indigenous Amazonian peoples within the terms of our own analogies?  What happens to our comparisons when we compare them with indigenous comparisons?  The perspective advocated here is that of perspectivism and controlled equivocation.

Este artigo sustenta que fazer antropologia é comparar antropologias.  A comparação não é apenas nosso instrumento de análise primário; ela é também nossa matéria-prima e nosso contexto último.  Pois o que comparamos são sempre, de uma forma ou de outra, comparações.  Se, como sugere Marilyn Strathern, a cultura consiste no modo pelo qual as pessoas esabelecem analogias entre diferentes domínios de seus mundos, então cada cultura é um processo multidimensional de comparação.  Da mesma forma, se a antropologia estuda a cultura através da cultura, então, como observa Roy Wagner, as operações que caracterizam nossa investigação­—sejam elas quais forem—devem ser também propriedades gerais da cultura.  As relações intraculturais, ou comparações internas, e as relações interculturais, ou comparações externas, estão em estrita continuidade ontológica.  Mas a comparabilidade direta não significa necessariamente tradutibilidade imediata, assim como a continuidade ontológica não significa transparência epistemológica.  Como podemos restituir as analogias estabelecidas por, digamos, os povos indígenas amazônicos nos termos de nossas próprias analogias?  O que acontece com nossas comparações quando as comparamos com as comparações indígenas?  A perspectiva que aqui se advoga é a do perspectivismo e da equivocação controlada.

JAVIER RUEDAS

History, Ethnography, and Politics in Amazonia: Implications of Diachronic and Synchronic Variability in Marubo Politics

The idea that indigenous Amazonian societies have been and are essentially egalitarian has been criticized in recent years.  This essay critiques frameworks for the study of power in lowland South America by examining diachronic and synchronic variation in Marubo political organization.  Firstly, I analyze change over time in Marubo politics and how this relates to population fluctutations linked to contact situations.  Based on this analysis, I argue that the small, atomized villages that twentieth century anthropologists perceived as typifying indigenous Amazonia were products of the historical processes of interethnic contact and cannot be thought of as representing “normal” indigenous political organization.  Next, I show that leaders of different Marubo villages range from powerless to powerful, and that all positions in this range are acceptable to most Marubo.  Thus, it is impossible to label the Marubo as either “egalitarian” or “hierarchical.”  Based on this analysis, I argue that labelling indigenous Amazonian societies as egalitarian or hierarchical is a highly problematic endeavor, and labelling all of Amazonia as egalitarian is clearly inaccurate.  The debate on power in Amazonia should be redirected, away from efforts to classify the entirety of Amazonia, towards efforts to understand Amazonian groups on their own terms.

A idéia que as sociedades indígenas da Amazônia tem sido, e são, essencialmente igualitárias tem sido criticada nos últimos anos.  Neste ensaio, através de uma investigação das variações diacrônicas e sincrônicas na organização política dos Marubo, critico as estruturas conceituais usadas para estudar o poder na Amazônia.  Primeiro, eu analiso mudanças históricas na política Marubo, e como se relacionam com mudanças demográficas ligadas às situações de contato.  Baseiado neste análise eu sustento que as pequenas e isoladas aldeias que os antropólogos do século XX perceberam como típicos da Amazônia indígena foram produtos dos processos históricos de contato interétnico e não podem serem considerados representativos de uma organização política indígena “normal.”  Segundo, eu mostro variações em níveis de poder entre chefes de diferentes aldeias Marubo, desde chefes com pouco poder até chefes com poder significante, e também que todas as posições neste leque são aceitáveis à maioria dos Marubo.  Assim, é impossível classificar os Marubo como “igualitários” ou “hierárquicos.”  Baseiado neste análise eu sustento que a classificação de sociedades indígenas Amazônicas como iguálitarias ou hierárquicas e altamente problemática, e a classificação do conjunto da Amazônia como igualitário é claramente inexato.  O debate sobre o poder na Amazônia deveria mudar de enfoque, trocando esforços de classificação do conjunto da Amazônia por esforços de compreender a cada grupo indígena de acordo com a sua própria lógica político-cultural.

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